quinta-feira, 20 de julho de 2017

Nota sobre a condenação de Lula

Hoje o ex-presidente Lula foi condenado pelo juiz Sergio Moro, no âmbito da operação Lava Jato, por corrupção e lavagem de dinheiro. Também foi condenado Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS por corrupção ativa e lavagem de dinheiro. De acordo com a sentença, Lula recebeu vantagens indevidas da OAS por meio de um tríplex no Guarujá. Lula tem o direito de recorrer em liberdade e segue com os direitos políticos intactos, até uma nova decisão em segunda instância. A decisão judicial condenando Lula está provocando um amplo debate no país. Entendemos que é preciso uma posição que supera a polarização entre os “defensores de Lula” e os “defensores de Moro”.

A esquerda não pode defender Lula!

Entendemos que o PT, desde a reforma da previdência de 2003 e o mensalão de 2005, cometeu uma traição de classe e se transformou num instrumento da classe dominante, governando a serviço dos banqueiros, empreiteiras e do agronegócio, aplicando projetos semelhantes aos do PSDB e PMDB. Nessa conversão, defendendo as instituições burguesas, Lula e Dilma governaram através de métodos corruptos que marcaram os governos Sarney, Collor e FHC. Ampliaram seu leque de alianças e mantiveram o congresso como um balcão de negociatas com as velhas oligarquias. Compraram votos para constituir uma maioria parlamentar e votar reformas neoliberais, como no caso do Mensalão, para aprovar a Reforma da Previdência de 2003. Entraram no financiamento patronal das campanhas, onde as empresas apoiam candidatos que, depois de eleitos, beneficiam as empresas “doadoras”. Lotearam cargos públicos e transformaram estatais, como a Petrobras, em um mega esquema de corrupção para implementar medidas contrarias aos direitos dos trabalhadores e do povo. Nesse processo, a cúpula do PT enriqueceu, mudou de lado e se degenerou.  Seus principais dirigentes entraram nos esquemas inerentes ao atual sistema. Tornaram-se assessores, palestrantes, lobistas das empreiteiras, ajudando em sua expansão. Por isso, a esquerda socialista, os lutadores classistas, a juventude combativa, jamais pode defender Lula e o PT.

O ex-presidente Lula está tão comprometido com esses esquemas corruptos, que recentemente deu declarações em defesa do presidente ilegítimo Michel Temer, com quem governou o país por vários anos em meio à coligação estratégica do PT com PMDB. E mais, chegou a dar depoimento em defesa de Eduardo Cunha, o odiado ex-presidente da Câmara. Além disso, Lula, juntamente com Sarney e FHC, bem como Gilmar Mendes e Temer articulam uma tentativa de acordo nacional para salvar os corruptos. Não por acaso, Lula não defende a revogação das medidas que já foram aprovadas por Temer e junto à burocracia sindical ajudou a desmontar o dia 30 de junho, ocasião em que as centrais recuaram da greve geral e abandonaram o Fora Temer.

Nenhuma confiança na justiça burguesa! Nenhuma confiança no Juiz Sergio Moro!

Não podemos depositar nenhuma confiança na justiça burguesa que integra o acordão que deixa impune Michel Temer e seus ministros, Aécio Neves e José Serra, os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia e Eunício Oliveira.  Não à toa, Aécio Neves, além de não ter sido preso, voltou a ocupar a cadeira de senador, ao mesmo tempo em que a justiça acaba de conceder prisão domiciliar para Geddel Vieira (ex-ministro do Temer).  Mas, sem dúvida, o maior absurdo de todos é que o corrupto Temer siga impune e na cadeira de presidente, quando há provas mais do que suficiente para sua condenação, o que mostra o caráter parcial dessa (in)justiça. Além dos ex-presidentes da República como FHC e Sarney. Todos deveriam ser condenados por corrupção e perder seus cargos, bem como ter seus bens confiscados. A justiça burguesa nunca é imparcial. O juiz Sergio Moro e a operação Lava Jato colocaram sob sigilo a lista da Odebrecht em 2016, e também ajudaram Temer vetando perguntas formuladas por Eduardo Cunha. Não podemos esperar nada de Moro e da Força Tarefa da Lava Jato.

Para ver uma efetiva punição de todos os corruptos, sem seletividade, é preciso seguir nas ruas, lutando contra a retirada de direitos e a reforma da previdência, pelo Fora Temer, e contra todos os envolvidos em esquemas ilícitos: PMDB, PSDB, DEM, PT, etc. Ocupar as ruas para exigir divulgação de todos os áudios e de todos os sigilos dos envolvidos na Lava Jato, a prisão e confisco dos bens de todos os políticos e empresários corruptos, a estatização das empresas envolvidas na Lava Jato, bem como a revogação de todas as medidas contra o povo, votadas durante a vigência do mensalão e da lava jato, como a reforma da previdência de 2003, as MP’s 664 e 665 de 2016, a PEC 55 de 2016, a terceirização e a reforma trabalhista.

Por fim, sabemos que ainda existem muitos trabalhadores honestos que seguem acreditando em Lula. A esses trabalhadores, fazemos um chamado a romperem com o PT e Lula e ajudar a construir uma nova alternativa para a classe trabalhadora.

12 de julho de 2017.

Executivo Nacional da CST/PSOL

quarta-feira, 14 de junho de 2017

PSOL/Codó realizará plenária para debater conjuntura política e greve geral do dia 30 de junho

No próximo sábado, dia 17, o Diretório Municipal do PSOL de Codó realizará uma plenária para debater o papel da esquerda na atual conjuntura política nacional e preparar a Greve Geral dos trabalhadores, agendada pelas Centrais Sindicais para o dia 30 de junho. Além disso, o partido também receberá pedidos de filiação partidária. O evento será aberto para os trabalhadores em geral, sindicatos, movimentos e organizações sociais. Confira o convite:


quarta-feira, 31 de maio de 2017

Sindicato dos Servidores Públicos lança nota de repúdio às ações de Francisco Nagib e vereadores governistas contra a categoria

Nota de repúdio do SINTSERM às ações arbitrárias e opressoras do prefeito Francisco Nagib, direcionadas aos servidores públicos municipais e à omissão dos 16 vereadores da base governista.

O Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Codó - SINTSERM - vem a público repudiar as ações arbitrárias e opressoras do atual prefeito, principalmente aquelas direcionadas às categorias dos agentes de endemias e assistentes administrativos. Os agentes de combate às endemias vêm sofrendo com a falta de apoio e descaso do governo municipal. Faltam equipamentos de proteção individual, fardamento, não recebem o piso salarial, muito menos o adicional de insalubridade, prestando serviços em péssimas condições de trabalho.

A categoria dos assistentes administrativos também é perseguida pelo atual prefeito, com o apoio dos 16 vereadores, que de forma submissa, assinam lei que concede altos salários (R$ 11.928,00 - onze mil, novecentos e vinte e oito reais) à cúpula do governo e alteram a carga horária dos trabalhadores para 40 horas semanais, contrariando o Estatuto do Servidor, que em seu artigo 22, estabelece uma carga horária semanal de 30 horas.

O prefeito Francisco Nagib e os 16 vereadores também são responsáveis pela demissão em massa de trabalhadores contratados que foram admitidos há menos de quatro meses, além de perseguições, ameaças e remanejamento de servidores sem comunicação ou acordo prévio. Os servidores por diversas vezes tentaram um diálogo e uma mesa de negociação com o prefeito, o que tem se tornado cada vez mais difícil, porém continuamos firmes na luta em defesa dos direitos dos trabalhadores do serviço público municipal.


A Diretoria do SINTSERM

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Trabalhadores e juventude de Codó protestam contra reformas da previdência e trabalhista

O Município de Codó foi palco, nesta sexta feira, de uma grande manifestação popular contra as reformas da previdência e trabalhista do governo Temer. Trabalhadores de diversas categorias e a juventude saíram às ruas para dizer que não aceitarão pagar a conta da crise. Crise esta provocada pela roubalheira da classe política que saqueou o nosso país.

Confira algumas fotos da manifestação:









quarta-feira, 26 de abril de 2017

Manifestação contra Reforma da Previdência e Trabalhista acontecerá nesta sexta feira em Codó

O Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal - SINTSERM, o SINPROESEMMA e o Partido Socialismo e Liberdade - PSOL, entre outras organizações sociais, estão convocando toda a população codoense para se manifestar contra as Reformas da Previdência e Trabalhista que estão prestes a serem aprovadas pelo Congresso Nacional. A manifestação, que se concentrará na Praça do Viveiro a partir das 07 horas da manhã, faz parte da Greve Geral dos Trabalhadores, que está sendo convocada por todas as Centrais sindicais e que pretende paralisar o país na próxima sexta feira, 28.

Segundos dados das centrais sindicais, até o início desta semana mais de 100 categorias de trabalhadores já manifestaram adesão à Greve Geral de sexta feira.

A mobilização daqueles que serão os mais prejudicados com as reformas propostas pelo governo Temer é a única forma de barrá-las, por isso é fundamental que a população participe da Greve Geral na sexta feira e ajude a mudar o rumo do nosso país.

domingo, 23 de abril de 2017

Após as Jornadas de Março construir uma efetiva Greve Geral no dia 28/04

O governo Temer vive dias difíceis. Semana após semana a instabilidade do governo se aprofunda. Após as jornadas de mobilização de março, a classe trabalhadora entrou em cena e tudo piorou para o PMDB. A crise das instituições da velha republica, com a Lava Jato, joga mais lenha na fogueira. De acordo com as pesquisas, apenas 10% dos entrevistados aprovam o governo Temer e mais de 80% são contra a reforma da previdência. Tudo isso em meio à convocação da greve geral do dia 28/04.
Após a forte paralisação do dia 15 de março, quando categorias estratégicas cruzaram os braços e cerca de 500 mil pessoas ocuparam as ruas para barrar as contrarreformas neoliberais, a base aliada de Temer ficou acuada. O governo perdeu a votação da cobrança de mensalidades nas universidades, pois o número de deputados que votam em projetos antipopulares vem baixando.  As lutas são cada vez mais politizadas, questionando Temer. A tal ponto que hoje não há votos necessários para aprovar a reforma da previdência. Uma crise que leva corruptos, como Renan Calheiros, a pular fora do barco para tentar salvar a própria pele.
No dia 31, enquanto estávamos nas ruas, Temer sancionou o projeto de Terceirização. Na impossibilidade de aprovar a PEC da previdência, fez esse gesto para tentar acalmar a burguesia que exige o ajuste estrutural. O governo pode tentar aprovar outros projetos no congresso, como a reforma trabalhista. Algo que só se explica pelo atraso das Centrais em marcar a greve geral, visto que após o 15 de março predominou trégua e as negociações com Rodrigo Maia, permitindo ao governo fazer essa manobra.

CONSTRUIR UMA GREVE GERAL EFETIVA

Agora, a greve geral marcada pelas centrais sindicais para o dia 28/04 é o melhor método para barrar as contrarreformas e a terceirização e concretizar o Fora Temer. A greve geral surge da pressão das bases, cujo motor é a insatisfação social e a negação às medidas draconianas de Temer e Rodrigo Maia. Um ataque tão profundo, feito por um governo corrupto, que empurrou as “classes médias” para a oposição, conforme se viu no fracasso dos atos de direita, organizados pelos MBL e VPR.
A construção efetiva da greve geral, portanto, é central e, se for bem organizada, pode nos levar a vitórias. Devemos seguir a orientação indicada pela Executiva Nacional do PSOL, realizada em Abril: “Construir essa manifestação com toda nossa energia, por meio de assembleias e comitês de base nas diversas categorias, reuniões nos bairros, favelas, igrejas, escolas e universidades para construir comitês populares, plenárias estaduais e municipais das Centrais, Sindicatos e movimentos sociais, para coordenar as principais manifestações, pronunciamentos no parlamento, campanhas de divulgação massiva. O PSOL, como em outros momentos, apoia e constrói a greve geral do dia 28 de abril e se coloca à disposição das Centrais e dos Sindicatos para ajudar no triunfo dessa mobilização unitária, para que a greve seja bem organizada com paralisações efetivas e fortes passeatas para barrar as contrarreformas de Michel Temer e Rodrigo Maia. Nossos militantes, dirigentes nos movimentos sociais, nossos parlamentares, estarão participando ativamente desse momento histórico. Convidamos nossos filiados e eleitores a se somarem nessa jornada, com a mesma dedicação de nossa última campanha municipal” (psol50.org.br). Propomos que o PSOL, MTST, CSP-CONLUTAS, INTERSINDICAL, Sindicatos como SEPE-RJ e Metroviários-SP, realizem reuniões para construirmos um polo combativo em meio à construção da greve, visto que a organização da greve nas bases será fundamental para seu sucesso.

CONSTRUIR UMA FRENTE DE ESQUERDA E SOCIALISTA NACIONAL

É importante saber que as lideranças que conduzem as maiores centrais não são confiáveis. De um lado as direções ligadas ao governo Temer, como é o caso de Paulinho da Força Sindical, cujo objetivo é barganhar mais espaço no governo e negociar benesses para a burocracia sindical de direita. Do outro lado, PT e PCdoB, cuja estratégia é tentar eleger Lula em 2018. Não por acaso, a defesa de Dilma favorecia Temer no TSE, propondo retirar do caso as delações da Odebrecht e garantir o calendário eleitoral. Uma estratégia que explica a tentativa de mudar o caráter da greve geral, convocando em alguns estados “Atos-Show” ao invés de passeatas, piquetes e ocupações. A inconsequência desse setor é tão profunda que a Fundação Perseu Abramo do PT e o Instituto FHC do PSDB estão realizando evento para “pensar o brasil”, nas palavras de Marcio Pochmann. Um “Diálogo nacional” em defesa das instituições burguesas e dos corruptos. No mesmo momento que Lula e Renan Calheiros se reaproximam.
É preciso construir um caminho alternativo, de oposição de esquerda ao governo Temer, que supere e enfrente a traição de classe do PT e de Lula. Construir uma Frente de Esquerda e Socialista semelhante a que existe no Rio de Janeiro, que é composta pelo NOS, MAIS, Comunismo e Liberdade, PCB, LSR, MRT, Coletivo Marxista, CST e várias outras organizações, que intervém concretamente nos calendários de luta. Devemos ampliá-la para todo país em meio a batalha por uma greve geral efetiva e a construção de um polo combativo nacional. Uma frente que defenda um programa alternativo para resolver a crise social, suspendendo o pagamento da dívida e destinando mais verbas para áreas sociais, repondo as perdas salariais e proibindo as demissões, confiscando bens de empresários corruptos, estatizando empresas envolvidas em fraudes e na Lava Jato. Essa é nossa proposta para o PSOL, MTST, PSTU, UP, Insurgência, MES, Esquerda Marxista e demais setores anticapitalistas e classistas.


Editorial do Jornal Combate Socialista Abril/2017

domingo, 12 de março de 2017

A NECESSIDADE DE CONSTRUIR A FRENTE DE ESQUERDA JÁ!

Setores da esquerda que tem como eixo a ação parlamentar e não as lutas do movimento de massas começaram a se preparar desde já para as eleições de 2018. Também os petistas, frente as primeiras pesquisas que davam Lula como vencedor, começaram a especular e alimentar ilusões.

Achamos importante e necessário abrir este debate, tanto sobre Lula 2018 quanto e, fundamentalmente, para que deve servir uma Frente de Esquerda.

Lula 2018 é uma alternativa?

Compreendemos que muitos petistas e setores populares lembrem com alguma nostalgia a “era Lula” ou os anos dos governos do PT. Frente aos ferozes ataques que Temer se prepara a lançar sobre as aposentadorias e os diretos trabalhistas, frente aos ajustes infinitos sobre os salários, frente ao desemprego brutal que segue crescendo, frente à quebra de estados como RJ, MG ou RS e que se estende por milhares de prefeituras país afora, frente à tentativa de proteção aos corruptos por Temer, uma possível volta de Lula ao governo produz em setores da população alguma esperança.

Compreendemos, mas não compartilhamos essa opinião. O PT e Lula não podem ser uma alternativa para o povo trabalhador pois é de sua inteira responsabilidade que hoje tenhamos Temer no governo, rodeado de uma quadrilha de corruptos. Foi Lula quem colocou Temer lá, e os que votaram o impeachment de Dilma foram, em grande parte, base de sustentação dos governos petistas.

Lula foi quem deu sobrevida a verdadeiros “mortos vivos” como eram Fernando Collor, Renan Calheiros, Sarney, Maluf, Jáder Barbalho, queimados até o tutano pelas suas falcatruas. Pois, era pactuando com eles, segundo os petistas, a forma de garantir a governabilidade.

Com Lula presidente em 2003 votou-se a primeira reforma da previdência que fez os aposentados passarem a contribuir com 11%, entre outras coisas; sob seu governo e com a Ministra de Meio Ambiente Marina Silva se abriu o país aos transgênicos trazidos pela multinacional Monsanto, entre outras. Nos governos do PT não se avançou nem um milímetro na Reforma Agrária, pelo contrário, fortaleceu-se o latifúndio, tanto que Dilma nomeou a Kátia Abreu como sua Ministra de Agricultura, dirigente da bancada ruralista e presidente por diversos períodos da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Avançou nas privatizações como as dos Hospitais Universitários, os leilões do Pré Sal, as privatizações de aeroportos; a lei antiterrorista foi votada e sancionada  sob Dilma presidenta; O Brasil tem a 4ª. população carcerária do mundo crescendo sob os governos do PT em cifras alarmantes;  a violência urbana vitimou milhares, sobretudo jovens e negros habitantes das periferias; cresceu a violência no campo e nas terras indígenas;  abriu para a mineração nacional e estrangeira as terras indígenas e áreas de fronteira; Dilma vetou que a dívida pública fosse auditada, entre outros aspectos dos governos petistas que foram profundamente contrários aos interesses populares e nacionais, evidenciando sua subordinação ao imperialismo, sobretudo o norte americano.

É verdade que teve a seu favor uma situação econômica mundial que lhe favoreceu, especialmente até 2010, com o preço das matérias primas nas alturas. Isto possibilitou o governo Lula ter uma política compensatória que, sem tocar num fio de cabelo das empreiteiras, dos bancos, do latifúndio e das multinacionais, fizesse algumas concessões como bolsa família, aumento do salário mínimo, etc, mas sem realizar nenhuma mudança estrutural.

Quando a crise da economia mundial capitalista chegou com força, a receita adotada por Dilma foi a mesma que adota qualquer governo capitalista: fazer o ajuste com os de baixo. Mas, quando ela começou a fazê-lo já era tarde pois o PT tinha perdido a confiança do movimento de massas, daí sua pouca força para aplicá-lo, sendo este o elemento decisivo para que a burguesia e os aliados de ontem decidissem substituí-la.

Em síntese, ao fazer um governo de composição com a burguesia – governo de conciliação de classes, além de medidas contra o povo, adotou também sua metodologia corrupta e nela se enlameou até o pescoço, perdendo assim credibilidade, respeito e o controle que tradicionalmente o PT exercia sobre o movimento de massas através da CUT, UNE, PCdoB, etc.

Para finalizar, assim como Lula no governo não revogou nenhuma das medidas de FHC, caso Lula fosse novamente governo não revogará nenhuma das medidas de Temer. Isso é evidente pois, como bom agente da burguesia e do imperialismo, prefere que Temer faça o trabalho “sujo” para não ter que enfrentar mais uma vez o movimento de massas caso Temer fracasse.

Isto é o que explica a cumplicidade da direção da CUT, CTB e de todos os ex- governistas, que gritam Fora Temer! Mas não apostam em fortalecer e unificar as lutas, a única forma de derrotar este governo ilegítimo eleito por um congresso de corruptos, e seu plano de ajuste. O Fora Temer virou uma “litania” (ou ladainha) pois a estratégia do PT, da CUT, do PCdoB, é Lula 2018. Para isso, Temer tem que durar até lá! Este é o sentido também do manifesto dos artistas, intelectuais e acadêmicos que apostam em Lula 2018, que como Beth Carvalho bem expressou “para mim, só Lula lá” ainda que estivesse precedido por um “Fora Temer”.

PRECISAMOS DE UMA FRENTE E ESQUERDA PARA UNIFICAR E FORTALECER AS LUTAS

Frente ao brutal ajuste de Temer temos que colocar toda nossa energia em fortalecer e unificar as lutas em curso. Para esta tarefa, chamamos a mais ampla unidade de ação aos sindicatos e lutadores de diversas categorias, sejam filiadas à CUT, CTB, Conlutas, Força Sindical etc.; as oposições sindicais, as correntes combativas e classistas. Neste sentido, é maior a responsabilidade dos partidos de esquerda como o PSTU, PSOL, PCB, o MTST e dos agrupamentos como o MAIS, NOS, Esquerda Marxista, e outros agrupamentos.

Também, a Frente de Esquerda deve fazer um chamado à CUT e a CTB, a UNE e a UBES, para que abandonem sua estratégia centrada em Lula 2018 e façam realidade o que até agora é somente uma palavra de ordem: o fora Temer! Se estas centrais de verdade quisessem acabar com o atual presidente e seu plano de ataques, estariam convocando assembleias de base por todo o país, e chamando a realizar uma greve geral para valer, ao invés de convocar somente um dia de lutas em 15/03. Dia que todos estamos empenhados, mas que é insuficiente e tardio. Precisamos muito mais!

Esta realidade coloca para as correntes e partidos da esquerda uma imensa responsabilidade. Para isto é que no nosso entender deve servir uma frente de esquerda: a serviço da luta de classes, das lutas para enfrentar e derrotar o ajuste e levar o presidente Temer junto! Sem nenhum sectarismo para os que estão dispostos a lutar, mas sem despertar nenhuma ilusão nas burocracias sindicais cúmplices do ajuste. Para que seja derrotada a atual política, com um programa alternativo que comece por suspender o pagamento da dívida pública e auditá-la, para poder investir no que o povo precisa: trabalho, salário, saúde, educação, moradia, segurança, etc.

Se as pesquisas – ainda que muito parciais – deram uma subida para Lula, também marcaram o crescimento do Bolsonaro. A polarização política e social se expressa com toda força no país. O problema é que a crescente crise social e os processos de luta não têm um polo político e de lutas alternativo, com uma política classista, que se postule na luta de classes. Construir esse polo é a grande tarefa da Frente de Esquerda.

Nossos desafios imediatos são o dia 08 de março, Dia Internacional de Luta das Mulheres e a jornada nacional de lutas em 15 de março na qual sem dúvida estaremos todos empenhados!

O PSOL e a reorganização da esquerda

O PSOL, que já tem 12 anos de vida, foi fundado a partir da expulsão dos radicais que se negaram a votar na reforma da Previdência de Lula e por tal motivo foram expulsos do PT. A atuação do PSOL no parlamento destacou-se nestes anos, assim como a participação de sua militância na luta social, dos trabalhadores, estudantes, mulheres, etc.

Seu projeto foi o de construir uma verdadeira esquerda, ampla, mas sem incluir nenhum setor da burguesia nem seus partidos; uma esquerda para que os trabalhadores e o povo governem! Este projeto está em discussão de forma permanente, pois nas correntes que formam parte do PSOL existem diversos posicionamentos.

Nas correntes majoritárias do partido existe uma superestimação do trabalho institucional no parlamento e nas câmaras em detrimento da participação na luta de classes. Isto explica porque na maior parte dos casos é difícil que os parlamentares do PSOL participem das greves e das mobilizações.

Consideramos que é de fundamental importância atuar na superestrutura política do país, rejeitamos qualquer ultra esquerdismo que leve ao gueto. Mas não será com as quadrilhas de ladrões de dinheiros público servis ao capital, que dominam a política, que conseguiremos mudar o país derrotando Temer e seu plano. Por isso, entendemos como corretos, mas táticos, os movimentos como pedir o impeachment de Temer ou de Pezão, por exemplo, pois sabemos de antemão que nada de bom para o povo sairá desses covis de bandidos! Entendemos estas medidas como pedagógicas para educar o povo nos limites da ação institucional.

No entanto, ao não ter como eixo da maioria da direção a ação direta, estas táticas se convertem em estratégias, em meios para adquirir maior visibilidade, deixando de lado as tarefas quotidianas de apoiar as lutas, de impulsionar sua unificação, de exigir das centrais uma greve geral.

O PSOL deve ter uma estratégia radicalmente diferente do PT

Para reorganizar a esquerda é necessário ter uma estratégia diametralmente oposta à do PT. Mas, para a direção majoritária do partido e para algumas das tendências internas é mais importante tentar trazer algum parlamentar que rompe com o PT, sem importar seu histórico, nem suas razões para vir ao PSOL. O importante é ter 10 parlamentares para fugir das restrições que a burguesia quer impor aos partidos de esquerda.

Do nosso ponto de vista esta visão está equivocada. A ruptura de setores de massas com o PT está em curso, se expressou com toda força nas eleições 2016, em que não houve nenhum setor da classe que saísse na defesa de Dilma. O que deve guiar o PSOL, consequente com o programa de fundação, é girar para as lutas dos trabalhadores que resistem ao ajuste, das mulheres que neste dia 8 de março irão às ruas no mundo inteiro com um claro conteúdo anticapitalista, pois elas são  as que mais sofrem com as políticas antissociais de Temer; da juventude que nas escolas ou universidades resistem aos ataques contra o ensino público, da juventude negra  das periferias massacrada pela violência policial, dos aposentados que irão sofrer mais ainda se vinga a reforma da Previdência que os patrões e o governo estão empenhados em votar. O PSOL precisa de uma política prática e consequente em defesa dos interesses dos explorados e oprimidos. Isso com certeza nos fortalecerá também nos processos eleitorais!

Achamos que uma das razões do fraco desempenho do PSOL nas eleições de 2016, independente que algum estado como o RJ tenha tido excelentes resultados, foi sua política para o PT, sem se diferenciar claramente, defendendo propostas como a da frente progressista como se o PT pudesse ser de esquerda, o que confundiu um setor do eleitorado. Se a direção majoritária do partido e os parlamentares que defenderam esta política não tira a conclusão que o PT, seu programa e sua estratégia faliram, iremos sempre ser linha auxiliar do PT.
Também no PSOL precisamos fortalecer um polo à esquerda que batalhe para manter o partido com uma política de classe, de luta e radical!

Coordenação Nacional da CST/PSOL
http://cstpsol.com/home/index.php/2017/03/12/a-necessidade-de-construir-a-frente-de-esquerda-ja/